terça-feira, 29 de julho de 2008

Sabão líquido, limpo demais para o meu gosto. Enfim, Pequim!


Depois de vários filmes assistidos no avião - documentário alemão, filme chinês, francês, comédia de Hollywood e o escambau - chegamos. Dormi umas 3 horas de sexta para sábado e 4 horas de sábado para domingo. Cheguei 17h de Pequim, ainda eram 4h no Brasil. Ou seja: meu corpo dizia que era madruga, mas eu tinha que "viver" à tarde.
A Vila da Mídia é muito linda. Estou num quarto com 3 quartos e 2 banheiros. Meu quarto tem uma cama de viúva Porcina, ar-condicionado, uma mesa gigante, TV, um show! Na minha cama, um kit de mimos, ja garantindo os primeiros presentes na volta: guarda-chuva (rosa, esse fica para minha filha Luiza), pin, chaveiro e um despertador quadrado "4x4". Na horizontal,
relógio; gira 90 graus, despertador; mais 90 graus, e eis a temperatura no visor; no último virar, cronômetro. Guardei na mala o despertador que comprei num camelô de Copacabana com minha mulher. Shampoo foi outra coisa que eu trouxe "à toa". Como a Johnson's é patrocinadora oficial das Olimpíadas, shampoo e sabonete líquido tem "a rodo". Aliás, não gosto de sabonete líquido. Esse papo de jogar na mão um líquido, esfregar no corpo e 15 segundos depois sair do banho não é "made in Brazil", limpo demais para mim. Nós gostamos do contato com o sabonete, do banho
demorado. Esse papo de sabonete líquido não me agrada. A gente tem uma relação com a água de prazer, água em abundância, nossos recursos hídricos sao "inesgostáveis". Lembro que eu morava em Viena com um italiano e a namorada dele austríaca. Sem exagero, ela demorava dois clipes da MTV no banho. Dois clipes entre entrar, fechar a porta, tomar banho e sair do banheiro. Enquanto isso, eu demorava pelo menos umas 5 vezes o tempo dela. Até em anúncio a gente esbanja água. Repare esse comercial do Guaraná, com o Toni Garrido e a Claudia
Leite: muita água (e guaraná), bebedouro, mangueira, gente levando esguichada. Para os padrões europeus, um "desperdício" de tanta água que escorre no anúncio.
Gente, hoje é Terça mas ainda estou com o efeito do jet leg. O pensamento não está conectado. Desculpem o texto meio confuso.

Toronto, terra de Ontário

Como não tem avião que carregue gasolina suficiente para fazer Rio-Pequim direto, o jeito foi fazer um pit-stop em Toronto, no estado de Ontário, no Canadá. Chegamos as 7h15 de sábado, saimos de la 17h. Nesse meio tempo, uma fugida do aeroporto so para tirar a "inhaca de avião". Numa cidade meio sem graça, com 22 graus em pleno verão canadense, resolveu-se visitar a CN Tower, uma torre de quase 500 metros de altura. CN, no caso, é Canada National Railway Company, a estatal de trem. Sendo um pouco radical - afinal, são só sete horas de análise, tenho que generalizar um pouco - o Canadá tem um monte de raças, pelo que observei no aeroporto: indianos, caribenhos, anglo-saxões e mexicanos. Não sei se se misturam tanto, mas parece que vivem em harmonia. Fomos tomar uma cerveja e senti um certo desleixo no atendimento. Talvez não sejam tão ligados no ''marketing'' quanto os americanos. Como não esqueço meus alunos nem aqui nem na China (desculpem, não podia evitar o trocadilho) catei um jornal gratuito, o Now. Existe há simplesmente 26 anos! Claro que tem mais anúncios e credibilidade que nossos "recém-nascidos" Metro e Destak. Dei uma folheada rápida e parti para o avião. Mais um vôo longo me esperava: de Toronto, vira à esquerda e pega o oceano Pacífico.
Pequim, aqui vou eu!

terça-feira, 22 de julho de 2008

Tecnologia olímpica

Eu tô indo pra Pequim depois de ralar bastante no Sul-americano de 2006 em Buenos Aires. Uma vez eu tive que passar diversos resultados do Atletismo. Uma amiga peruana anotava todos os resultados (eram mais de 40) enquanto reclamava. Eu arrotava tecnologia, dando os resultados para o meu chefe via rádio. Me sentia confortável com a tecnologia - até que um argentino chegou com um aparelho que parecia um celular, fez uns movimentos rápidos como que filmando todas as tabelas de resultados. Depois, ligou pra redação e conferiu: tudo fora enviado. Magoei. Acho que a guerra tecnológica vai assustar nessa Olimpíada. Basta pensar que na Copa de 94 ("só" 14 anos atrás) uma sacada genial da Brahma foi emprestar Teletrim pros jornalistas brasileiros, que assim saberiam rapidinho se algum gol saíra em jogo em outro estádio.

China, o país de PA e PG

Agora que está se aproximando o dia 25/7, data da viagem, começo a incorporar as sensações de Pequim/1990. É como se meu espírito já estivesse lá, esperando o lento corpo passear de avião pelo globo terrestre. Uma das sensações mais fortes que tive quando desembarquei do trem trans-siberiano há 18 anos foi de entender que o caos é administrável. Por onde se anda, sempre tem muito chinês. Lembro de uma roda com umas 70 pessoas, tipo aquelas gigantes da rua da Carioca. Quando me aproximei, era uma "simples" discussão de marido e mulher - aqui, atrairia umas 10 pessoas - lá, no país desproporcional, tudo é gigante. Em Pequim, existiam em 1990 um milhão de bicicletas emplacadas. Numa ocasião, parei num sinal de trânsito e quando ele abriu, resolvi pedalar mais rápido que meu amigo italiano. Quando olhei pra trás, "folgado na liderança", claro que não achei Daniele. Um mar de pessoas embaçava a vista - imagina na largada de uma maratona você largar e olhar pra trás! É como se usassem o tempo todo as progressões artimética (aha! Você pensou que o PA do título fosse "pau amigo"?) e geométrica. A maior população, o maior monumento do mundo (Muralha da China), o maior crescimento econômico..... China, o país do the biggest!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Políticos são como arroz

Uma vez o Yu Jin dizia: "Tomara que esses políticos velhos morram, para que os estudantes assumam o poder na República Popular da China". Falei que eles não deveriam esperar tanto assim, a espera seria longa e frustrante - afinal, "quem sabe faz a hora", diria um Vandré chinês. Ele não gostou da minha pressa ocidental, como chamou. E respondeu: "Há milhares de anos que plantamos arroz aqui na China. Quando vimos que há uma safra ruim, não tocamos nela. Deixamos crescer, desenvolver, morrer, e só então removemos a plantação. Nada de cortar antes do tempo. Funciona assim para arroz, para a política, para tudo". É. Pode ser.

Cozinheiro zen

Em Pequim, Daniele e eu conhecemos um estudante chinês que quis ser nosso guia pela cidade: Yu Jin. Um dia, estávamos os três caminhando pelo centro da cidade quando avistamos um homem que, concentrado, fazia um misto de dança e luta. Não demorou para Daniele matar a charada: era tai-chi-chuan. Quando o homem acabou, Yu Jin foi perguntar o que era. O relato me impressionou: "Eu sou cozinheiro e fui insultado por um cliente. Não poderia ficar dentro do restaurante, pois emanaria más vibrações, que atrapalhariam a digestão de outros clientes. Então saio, pratico tai-chi, volto ao meu ponto de equilíbrio..... e só então retorno à cozinha".

Beijing Beijing, tchau tchau

Eu vou pra Pequim cobrir as Olimpíadas. Estou retornando à capital chinesa, onde estive em 1990, menos de um ano após o banho de sangue na praça da Paz Celestial. Na época, eu morava em Budapeste (Hungria) e descobri um trambique que permitia que com 540 florins húngaros (uns 27 dólares) eu fizesse o trecho Budapeste-Moscou-Pequim. Eu não podia perder a chance. Chamei meu amigo italiano Daniele e partimos. Paramos em várias estações na antiga União Soviética. Uma até hoje não esqueço: Omsk - ou você nunca jogou War?